Não, não estou a falar da novela da TVI.
Estou a falar dos sentimentos. Sim, essas coisas que nos tornam, supostamente, humanos.
Discordo.
Os sentimentos não são complexos, nem nos tornam especiais. Sentimentos são apenas reacções químicas no cérebro. Se eu quisesse poderia estar aí todo feliz, emborcado com dopamina, e toda a gente pensaria que estaria a ter um dia óptimo, mas não veriam que estava apenas drogado.
Os sentimentos são simples: Sentimento=químico. Injectamos esse químico, e voilá, sentimos o sentimento pretendido.
Assim, os sentimentos compram-se. Algum dinheiro para a dopamina e ficamos felizes para o resto do dia. Algum dinheiro para o viagra e estamos sempre contentes e satisfeitos até ao final do efeito. Algum dinheiro e temos amor de outra pessoa para o resto da vida.
Mas, no entanto, os sentimentos movimentam este mundo.
Medo de um castigo post mortem (such as... hell, of course) leva as pessoas a praticar boas acções e a serem solidárias. Por isso, não admira que quem é "bonzinho" seja muitas vezes religioso: para não ir para o Inferno, trata bem os outros. É claro que isto se torna um hábito para essas pessoas, mas mesmo assim acho que são idiotas. Primeiro, porque acreditam no Inferno. Segundo porque têm medo dele, e condicionam toda a sua vida a tal castigo moral imaginário.
Para viver a vida, não se podem ter medos, nem arrependimentos. Se morrer, é o fim. Não há Céu, nem Inferno, não há nada. Não irei condicionar a minha vida por causa disso, e irei vivê-la ao máximo, sem que ninguém me impeça.
O ser humano está geneticamente disposto a trabalhar sozinho e a ser egoísta. O humano é assim, e não se pode contrariar. Só um sentimento mais forte é que pode quebrar essa têndencia, tal como o medo.
Na Pré-história, caçávamos em conjunto. Primeiramente, tinhamos outra mentalidade: naquela altura, estar sozinho era morrer, e era obrigatório encontrar o grupo para poder sobreviver. Trabalhar em equipa pela própria sobrevivência. Agora não faz sentido. Trabalhar em equipa, agora é deixar um ou dois marmelos fazer todo o trabalho, enquanto os outros se aproveitam. Normalmente, esses marmelos acreditam que, um dia, os outros membros irão mudar e irão ajudar. Ficam à espera desse dia, até que não chega.
Agora a mentalidade é "Só eu é que importo. Sou só eu. Eu sou a coisa mais importante da minha vida".
E o amor? Como já disse esse pode-se comprar e, mesmo que seja "verdadeiro amor", eu vejo-o apenas como os instintos básicos de sobrevivência do ser humano: acasalar e proseguir com a espécie.
Não podemos dar significados a estes sentimentos, pois são demasiado relativos e podem-se encontrar nas mais variadas formas. Não podemos dar mais significado à existência humana, pois ele não existe. Estamos aqui, para proseguir com a espécie. Podemos marcar alguma diferença no mundo, mas muito dificilmente seremos lembrados para toda a eternidade.
Não vale a pena aspirar a algo que nunca a contecerá. Não vale a pena ser "bonzinho", se todos os outros se irão aproveitar de nós.
Reduzam-se à vossa insignificância e Parem de tentar de ser Jesus Cristo, ou "Deus", e portem-se como humanos que são: animais que procuram a liderança do grupo.